Durante a tentativa de execução da nossa ideia inicial, para quem não lembra, tratava-se de uma cortina feita de lápis azuis, que seria colocada na entrada do museu militar.
Durante o processo, tentamos obter com muito esforço uma autorização para a instalação do trabalho, pois isto parecia resultar visualmente. Tinha-mos acabado de ter conhecimento de um lápis azul em concreto, fabricado pela Viarco, de uma maior espessura que se tornava deliciosamente perfeito para a cortina que tinha-mos em mente.
Acontece que nada aconteceu.
Não obtivemos autorização, e propuseram-nos enviar um dossier sobre o projecto para a sede, em Lisboa.
Vários dias foram passados a pensar no assunto, e na maneira como nos tinham tratado no museu.
Chegamos à conclusão que este pequeno problema nos ocupava mais tempo do que o trabalho em si. Aliás, já tínhamos esquecido o trabalho. A PIDE, a censura, os lápis, e a Viarco. O que parecia importar agora eram autorizações, boa educação, cartas bem escritas e palavreado.
Tinha-se tornado uma luta pessoal.
Levamos a nossa luta simbólica para a porta principal do museu militar. Instalamos os típicos soldados GI’s (nickname para a um soldado militar dos Estados Unidos), pintados de cor azul censura. Alem disso, substituímos as armas dos pequenos soldados por lápis de cor azuis. Fazendo alusão ao trabalho anterior original, ao que nos tinha sido negado o espaço. No fundo pretendíamos perturbar a conduta regular do museu e funcionários. Principalmente do senhor major Albino Pedro.























